
- Vó, a lua é o quê?
- É a bola de Deus, meu filho.
- A bola? de jogar?
- É. Todo dia bem de manhãzinha, antes de todo mundo acordar, ele chuta ela que tá sempre lá, paradinha no quintal dele.
- Chuta pra onde?
- Chuta pro nada. Ele chuta tão forte, tão forte, que ela vai parar no outro lado do mundo. Todo dia, a bola volta pro quintal dele e ele chuta, mesmo sem saber quem chuta de volta. Porque ela sempre volta...sempre volta.
O menino adormece. Na noite seguinte, ele aproxima-se da avó novamente, que está a tricotar no terraço.
- Ô vó! Por que a senhora e o vôvô nunca se falam? Vocês tão de mal?
A avó continua a tricotar.
- Sabe a lua, menino?
- A bola de jogar?
Ela ri.
- Sim, a bola de jogar; é que Deus quando chuta ela, é pra ela ir ficar pertinho do sol, que ta lá longe, lá do outro lado do mundo. Mas parece que tem sempre alguém que chuta o sol pra cá na mesma horinha.
- E o que é que tem?
- Tem que o sol e a lua nunca se encontram né, menino; é um fardo arretado de dois.
- A culpa é do diabo vó?
- Meu filho...eu não sei se é o Diabo que joga com Deus não. Eu só sei é que mesmo laaaá de longe, o sol continua a me aquecer a cada beijo no rosto, a cada beijo de amanhecer.

5 comentários:
juzinho, que coisa mais lidna!
ei,tambem tenho um blog, se quiser visita!
Jucélio, adorei isso! Não sabia q vc tinha um Blog. Continuarei lendo...
Martha
nossa, gostei muito.
sinto até falta da vida de blogueiro, é ótimo rechear o dia-a-dia (abusando do hífen enquanto posso) com textos como o seu.
atualiza!!
Gostei muito...a figura da avó é uma constante na sua narrativa, e isso diz muito de você...
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